quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O homem do sapato branco e eu


            Se eu falar que não ligo muito para sapatos e o leitor, por um acaso destes da vida, “conhecer” os meus, vai soltar aquele clichê safado: “Nossa, se gostasse então’. Enfim sapato, realmente não curto. Tenho MUITOS, dos mais variados  estilos e cores. Mas eles  foram “acontecendo” na minha vida. Uma promoção aqui, uma sapatilha SUPER confortável lá.
                        O fato é que fui ao banco sacar dinheiro e tinha um homem (acho feio falar homem; parece que é grosseiro. Mas rapaz também soa esquisito.) na fila do caixa. Ele usava rosa bebê. Acho um charme homem de rosa! Meu companheiro de fila usava uma camisa social rosa bebê (só de escrever já acho bonito!) com um quadriculado bem pequenininho.
             Para complementar, ele combinou com uma calça jeans em um tom mais claro. Totalmente casual Friday. No entanto, o encanto do homem elegante acabou quando olhei para os pés do moço. O problema está justamente aí; eu NUNCA olho para os pés de ninguém!! Mas eu estava na fila, sem fazer nada, então resolvi olhar. Ele estava de tênis branco. Quase imaculado. Era um Puma. Mas era branco.
            Homens, anotem aí: tênis com ALGUNS detalhes em branco. É até charmoso, mas totalmente branco.. ai não pode, tá? Caso você esqueça, decore a regrinha. Se você está na fila no banco para resolver qualquer pendência financeira, já é maior de 18 anos. Então já esgotou a idade para usar calçados brancos. Fácil, né?
             Só para concluir a estória, quando eu estava saindo, ele comentou com a gerente do banco que vendeu o apartamento e deu metade da quantia para ex-mulher. Tirei forças do meu vestido estampadinho para não falar. “Mas ela não te amava, né? Ou esse tênis é novo?

Tênis vermelho e havaiana

Outro dia, acordei, fui escovar os dentes e quando me olhei no espelho, descobri que estava mais velho, sabe? Como se tivessem passado 10 anos nas últimas oito horas que eu dormi. Foi aí que resolvi ousar e comprar um tênis vermelho.
 Na primeira volta com o tênis novo, não sabia ainda se estava; mais jovem, mais ridículo, alternativo, gay ou parecendo o Ronald McDonald. Como nunca sei a diferença entre alternativo e metrossexual , resolvi que estava “moderno”. Pra quem andou um terço da vida de Kichute, achei que estava de bom tamanho.
Cresci ouvindo as mulheres repetindo a máxima de que o homem pode estar impecavelmente vestido, mas se o sapato for feio, perde todos os pontos. Ok! Mas aí, não satisfeitas, elas inventaram mais regras:  Tem cor que pode, tem cor que é cafona, bico quadrado tá out, bico quadrado voltou, enfim. Elas que entendem disso, a gente não liga mas escuta, né?
O engraçado, é que em contrapartida, de uns anos para cá, depois que a primeira noiva classe média alta resolveu dar chinelo de presente, o que se vê é um amontoado de mulher baixinha dançando funk, de prosecco na mão, maquiagem na cara, vestido longo e... Havaiana, que até umas décadas atrás era calçado exclusivo de pobre, hoje é artigo obrigatório em festa de casamento igual a whisky e buquê.
Nós, que somos cavalheiros, não vamos falar nada, claro, chinelo é mais confortável, aquele artefato em que as mulheres teimam em se equilibra em cima deve realmente doer o pé e tal, tudo bem.
Mas cá entre nós, descer do salto perde ponto também.